AGRICULTURA

Tendências para o agronegócio em 2021

Se tem uma coisa da qual ninguém duvida é que 2020 ficará marcado para sempre na história da humanidade. Foram 366 dias de muitos altos e baixos para diversos setores socioeconômicos, e o agronegócio não ficou de fora.
Em meio a uma pandemia que assolou o mundo todo, o setor foi um dos que mais se manteve na ativa. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB agro cresceu 9% ― um feito e tanto considerando o cenário que nos cercava.
Por outro lado, a previsão para este ano é que o PIB agropecuário fique próximo dos 3% ― o que não deixa de ser animador, indicando menos altas de preço dos produtos e excelentes resultados de produção.
Dito isso, agora temos um novo ciclo pela frente. Mas antes de prosseguirmos com ele, nada melhor do que aproveitar esse momento e conferir algumas projeções para o agronegócio em 2021.
Sem mais delongas, confira a seguir um resumo dos principais setores do agro aos quais devemos ficar atentos nos próximos meses. Acompanhe!

Grãos

Soja

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), há um aumento previsto de 10,5 na produção de soja. Além do mais, a safra 20/21 deste grão deve trazer a maior rentabilidade (em reais) de sua história.
Fora isso, existem altas probabilidades de um novo recorde de exportações, calculado para chegar a 87 milhões de toneladas levadas para fora do país.

Milho

A Conab espera um crescimento de 9% na produção de milho, visto que o grão também superou sua média histórica de vendas ― 40% da safra negociada antecipadamente.
Em compensação, o La Ninã é uma preocupação para o bom andamento do cultivo, principalmente na Região Sul do país, onde a irregularidade das chuvas causada pelo fenômeno pode atrasar a chegada do milho safrinha ao mercado ― ou mesmo limitar o plantio do cereal em virtude de uma menor janela de plantio.

Arroz

Em 2021, a produtividade e a produção da rizicultura devem diminuir, a começar pelos baixos estoques já no início do ano. Segundo a Conab, estima-se que os 1,71 milhão de hectares plantados resultem em uma colheita de quase 11 milhões de toneladas ― 2,7% a menos que a safra 19/20.
No entanto, nada disso tira as expectativas dos agricultores do Rio Grande do Sul, estado com a maior produção nacional de arroz. Lá, eles se mostram esperançosos com o câmbio para as exportações e a manutenção da demanda.

Feijão

Conforme os cálculos do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), o feijão deve ter a menor safra da história logo agora, entre janeiro e fevereiro. O baixo resultado seria consequência direta da valorização da soja e do milho, o que acaba desestimulando o produtor a investir na leguminosa.
Para as três safras do ano, estima-se que 2,91 milhões de hectares sejam plantados, resultando em pouco menos de 3 milhões de toneladas para serem colhidas.

Café

Em linhas gerais, o café trouxe bons resultados para os agricultores no ano passado. De acordo com o Conab, a safra bateu recordes de produção com aproximadamente 63 milhões de sacas ― 27,9% a mais que em 2019.
Já o ano de 2021 promete números um pouco menores para os cafeicultores, devido à bienalidade das lavouras, com um total entre 53 e 57 milhões de sacas.

Cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar teve um de seus melhores anos em 2020, com 605 milhões de toneladas obtidas na última safra.
Em contrapartida, a próxima colheita tende a ser reduzida por dois fatores: os incêndios que atingiram o Centro-Sul do Brasil, além do clima seco que persistiu por muito tempo na região. Ainda assim, a demanda deverá crescer, favorecendo uma ligeira alta nos preços.

Frutas e hortaliças

Resistindo aos efeitos da pandemia, a fruticultura teve conquistas inéditas. Além do aumento no consumo interno, as exportações apresentaram alta.
Segundo a Associação Brasileira de Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas), o cenário permanece otimista em 2021 em relação à força das vendas.
Já o mercado de hortaliças, apesar de ter sofrido com as medidas de distanciamento social, conseguiu se recuperar por meio de vendas em canais alternativos, como redes sociais e serviços de delivery.
Algumas incertezas, no entanto, tornam difícil criar uma perspectiva para os produtores rurais dessa categoria que engloba diversas culturas e mercados muito regionais.

Insumos agrícolas

Conforme aponta o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), o mercado de insumos agrícolas cresceu 6,1% até setembro do ano passado, e deve continuar assim em 2021.
A tendência é que a demanda de fertilizantes aumente 2,5%, enquanto a procura por defensivos deve subir para 3%.
Destaque para o uso de novas tecnologias, como os biodefensivos e os fertilizantes especiais, com projeção de crescimento acima da média do setor.

Pecuária

Devido ao ciclo pecuário, em 2021 continuará havendo baixa disponibilidade de vacas para o abate e abastecimento do mercado interno que, assim como o mercado externo, continuará aquecido pela alta demanda e valorização da arroba.
Apesar dos bons preços, as margens devem seguir apertadas para o pecuarista em função da alta dos insumos, principalmente da ração e dos animais de reposição, além da instabilidade no clima, impactando diretamente na produtividade do rebanho.

Vale lembrar que todas essas previsões, apesar de serem realizadas com base em projeções de especialistas, podem sofrer alterações ao longo de todo o ano. Portanto, o melhor é ficarmos atentos e preparados para os desafios que 2021 nos trará.
Agora é com você. Compartilhe este artigo com outros produtores e ajude o Clube Agro a deixar todo mundo por dentro do que vem por aí no nosso setor. Até a próxima!

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