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Milho safrinha 2021: o que esperar com relação às previsões climáticas de março, abril e maio

Dentre os diversos fatores que determinam o sucesso do milho safrinha, o clima se destaca como um dos poucos em que não é possível haver a interferência humana. Justamente por esse motivo, é muito importante que os produtores estejam por dentro das movimentações climáticas e, assim, possam se preparar um pouco melhor para lidar com o que está por vir.
Para lhe auxiliar nesta missão, traremos algumas considerações importantes sobre o que dizem as principais projeções climáticas para os próximos meses, em especial, março, abril e maio deste ano, e o impacto que elas podem trazer para a sua lavoura.

Neutralidade do Fenômeno La Ninã
O primeiro aspecto que vale a pena ser observado é o La Niña, fenômeno que consiste em uma alteração cíclica das temperaturas médias do Oceano Pacífico, especialmente nas águas localizadas na porção central e leste desse oceano.
Essa transformação, por sua vez, é capaz de modificar uma série de outros fenômenos que impactam diretamente na produção do milho safrinha e outras culturas, como a distribuição de calor, concentração de chuvas e formação de secas.
A notícia nesta frente é que, segundo atualização feita pela Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) no último mês, há pelo menos 60% de chance de o fenômeno La Ninã entrar em fase de neutralidade já em abril. Com isso, é preciso estar atento a uma possível antecipação do frio, característica que se destaca durante a fase de transição para neutralidade.

Clima de Norte a Sul do país
De acordo com as projeções climáticas divulgadas em março pela Agrymet, haverá uma grande variação das temperaturas para as diferentes regiões do Brasil nesse trimestre.
Porém, o consenso indica que, com exceção da região Norte, que deve apresentar uma variação entre o normal e o ligeiramente abaixo do normal, as demais regiões do país devem manter as temperaturas variando entre o normal e o ligeiramente acima do normal.
Com relação às chuvas, confira abaixo o consenso da previsão para o período de março a maio, também de acordo com o relatório da Agrymet:
Região Norte: chuvas ligeiramente acima do normal em praticamente toda a região.
Região Nordeste: chuvas ligeiramente acima do normal em grande parte da região.
Região Centro-Oeste: chuvas ligeiramente acima do normal em grande parte da região, exceto no centro-sul do MS, que deve ficar ligeiramente abaixo do normal.
Região Sul: chuvas ligeiramente abaixo do normal em toda a região.
Região Sudeste: chuvas dentro do normal no estado de MG, no ES e norte do RJ. Chuvas ligeiramente abaixo do normal nas demais áreas.

Para ficar de olho
A partir das projeções apresentadas acima, o ponto de atenção fica por conta das localidades em que estão previstas chuvas ligeiramente abaixo do normal, como é o caso da Região Sul, parte da região Sudeste e centro-sul do MS.
A falta de chuva nestes locais pode afetar significativamente o desenvolvimento do milho ao longo do trimestre, tanto no crescimento inicial da cultura quanto principalmente na fase reprodutiva, onde acontece o enchimento de grãos.
Apesar de o milho ser uma planta de fácil adaptação, há diferentes respostas de produtividade de acordo com a época e a intensidade do déficit hídrico.
Segundo artigo publicado pela Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, se houver uma estiagem prolongada uma semana após a emissão das anteras, por exemplo, pode ocorrer queda de 50% na produção. Deficiências posteriores, por sua vez, podem resultar em danos da ordem de 25 a 30%.
Além disso, dois dias de estresse hídrico no florescimento diminuiria o rendimento em mais de 20% e, de quatro a oito dias, em mais de 50%.
Outro ponto que vale a pena ser observado é com relação ao atraso na colheita da soja em função da continuidade das chuvas em boa parte do país, o que vem prejudicando uma evolução mais rápida dos plantios do milho safrinha, aumentando assim o risco de que as lavouras venham a sofrer perdas lá na frente em função do clima mais seco próximo à metade do ano.
Para se ter uma ideia da situação atual, segundo levantamento da AgRural, até o dia 4 de março cerca de 54% da área prevista para a safrinha de milho havia sido plantada no centro-sul do Brasil, contra 80% no mesmo período do ano passado.
No Paraná, por exemplo, apenas cerca de 28% da área de milho segunda safra está semeada até o momento, de acordo com a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). Em situações consideradas normais, é comum o registro de cerca de 70% das lavouras plantadas até o início de março.

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