Agricultura

Dia Internacional do Arroz:
tudo sobre o grão mais famoso do mundo.

Quem diria que um alimento cultivado há tanto tempo conseguiria aumentar seu legado em vez de se tornar só mais um? Pois foi exatamente isso o que aconteceu com o arroz.

O grão já é consumido há mais de 5 mil anos, mas sua importância continua crescendo na agricultura do mundo todo — mesmo depois de tanto tempo.

Tudo começou com os povos do sudeste da Ásia e da África Ocidental. Desde então, o cereal virou um grande sucesso por onde passa, inclusive aqui no Brasil. Somente neste ano já foram colhidas 11,2 milhões de toneladas no país — quase 7% a mais que em 2019.

Essa fama toda fica ainda mais visível nos lares espalhados pelos quatro cantos do planeta, onde ele figura como base alimentar das principais refeições.

Depois de tanta coisa, era só questão de tempo até o arroz ganhar um dia próprio em reconhecimento a tudo o que ele representa. E foi pensando nisso que preparamos um conteúdo especial sobre a importância econômica, nutricional e cultural que ele angariou.

O texto já está servido. Vamos lá?

Importância econômica

O arroz movimenta uma economia de peso. Para se ter uma ideia, a temporada 2020/21 prevê uma produção mundial recorde de 505 milhões de toneladas. Com isso, também é esperado um aumento de estocagem, comércio e consumo.

Apesar de todo o sucesso, o arroz não é o principal cereal produzido no mundo. Ele está em 3° lugar no ranking, ficando atrás apenas do trigo e do milho. Ainda assim, alimenta quase 2,5 bilhões de seres humanos — um número que pretende dobrar até 2050.

De toda a produção mundial, 90% do consumo acontece no continente asiático. Aliás, seu cultivo é de grande importância nos países de lá, uma vez que eles concentram dois terços da população subnutrida ao redor do globo.

Voltando para o outro lado do mapa, os países latino-americanos também dão um grande destaque para o cultivo do arroz. Tanto que ele integra a dieta de nações como Colômbia, México e Peru.

Em território nacional, além da produção citada no início do texto, as exportações cresceram 96% neste ano. Isso nos coloca ao lado de outros grandes exportadores sul-americanos, como Uruguai e Argentina.

Valor nutricional

Existem aproximadamente 40 mil variedades de arroz espalhadas pelo mundo. Entretanto, são 9 os tipos mais comuns disponíveis no mercado. De todos eles, o mais consumido é o agulhinha — também conhecido como arroz branco.

Independentemente disso, o valor nutricional do grão também é um tópico à parte. A começar pelo grande potencial que o fez ser eleito o alimento com maior capacidade de combater a fome no planeta.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o arroz consegue oferecer 20% das necessidade diárias de energia a um adulto. Ele também contém vitaminas e sais minerais, além de ser fonte de fibras e carboidratos completos.

É por essas e outras que a dupla arroz e feijão é tão recomendada pelos nutricionistas. De acordo com eles, a mistura de uma leguminosa com um cereal faz com que o organismo absorva todos as substâncias envolvidas.

E tem mais: juntos, arroz e feijão entregam uma quantidade satisfatória de nutrientes para o bom funcionamento do organismo, além de promoverem uma saciedade que ajuda a regular o apetite.

Impacto cultural

A título de curiosidade, o arroz é utilizado em alguns rituais e superstições. O exemplo mais conhecido é o costume de jogá-lo em cima dos noivos ao final da cerimônia de casamento. A tradição vem lá da China e é realizada para atrair uma vida de prosperidade aos noivos.

Já entre os anos de 794 e 1185, o arroz serviu como unidade de troca no Japão. Isso aconteceu num período chamado Heian, marcado pela instabilidade econômica de um governo que não tinha mais condições de emitir moeda. Diante disso, a solução foi colocar o grão para jogo.

Por fim, ele também está presente num hábito seguido pelo budismo: o de servir comida aos mortos. Nesse caso estamos falando mais especificamente dos budistas chineses, que costumam oferecer tigelas de arroz cozido, servindo-as em túmulos e altares.

Do ano ao dia internacional

Para falar da data que estamos comemorando, precisamos fazer uma pequena viagem no tempo. Em 2002, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a criação de um evento que visava debater a importância do arroz na alimentação mundial. Era o Ano Internacional do Arroz (AIA).

O AIA foi anunciado em 2003 pela ONU, mas sua estreia de fato só veio a acontecer em 31 de outubro de 2004. A partir de então, esse dia foi eleito como data internacional para refletir sobre o tema.

No Brasil, a Embrapa tomou a frente das atividades realizando cursos e discussões que envolviam tanto a sociedade quanto a cadeia produtiva.

Foi um momento importante para o país que, na época, sofria com baixos estoques e uma ameaça de desabastecimento perante as projeções do futuro. Mas, de acordo com o que falamos aqui, esse nível de preocupação parece ter ficado no passado.

Como você viu, o Dia Internacional do Arroz tem muitos motivos para existir — e continuar existindo. Isso porque, além de sua alta capacidade nutritiva e do fácil cultivo, ele acompanha a humanidade há muitos séculos (além dos nossos pratos prediletos).

E o melhor de tudo é que, pelo que podemos perceber, essa história ainda tem um grande futuro pela frente.

Que a comemoração role solta!

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