AGRICULTURA

Corrida contra as pragas e contra o tempo

O avanço da agricultura brasileira tem relação direta com a capacidade do setor de desenvolver soluções inovadoras, eficazes e sustentáveis para combater e controlar pragas. Principalmente porque esses inimigos que atacam e dilaceram as lavouras também evoluem com rapidez, encontrando formas naturais de resistirem aos defensivos agrícolas. Recentemente, a Embrapa divulgou resultados de pesquisas realizadas com a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) que comprovam essa condição.

O inseto, também conhecido como lagarta-militar, é uma das pragas mais importantes do milho. Ataca principalmente as folhas, mas ainda se alimenta do pendão e penetra em qualquer parte das espigas. Devora, inclusive, as plantas na fase inicial, impedindo o crescimento da lavoura. A opção por cultivares transgênicas Bt, que contêm a proteína Cry1F, substância tóxica para a lagarta, é uma das formas de controle.

Um ponto fraco deste manejo é o desenvolvimento, por parte do inseto, de resistência à proteína. Mais ainda quando, já resistente, passa a se multiplicar rapidamente. A descoberta da presença da Cry1F já em seus ovos aumenta a preocupação, pois confirma o contato com a proteína mesmo antes da eclosão e de se alimentarem da planta, o que pode ampliar as chances de selecionar indivíduos resistentes.

Para a agrônoma Camila Souza, autora do estudo que foi tema de dissertação de mestrado no programa de pós-graduação em Entomologia da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Minas Gerais, essa descoberta aumenta a demanda por novos estudos. “Precisamos entender todas essas interações no processo de seleção e resistência”, afirma.

Para Simone Martins Mendes, pesquisadora da área de Entomologia da Embrapa Milho e Sorgo, o estudo de Camila é um passo importante para novas descobertas e amplia a visão já alcançada por outras pesquisas. “Temos acompanhado a velocidade de seleção da resistência dessa espécie de praga às proteínas Bt expressas no milho transgênico em condições tropicais de cultivo. Já entendemos que são muitos os fatores que podem contribuir para esse quadro”, explica.

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