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Cigarrinha-do-milho: tudo o que você precisa saber para combatê-la

Todos os anos, os produtores de milho precisam encarar alguns inimigos – mais conhecidos como pragas – para obter sucesso em suas colheitas. No último ano, dentre esses inimigos, houve um destaque que se tornou o vilão número um da safrinha: a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis).

As cigarrinhas têm grande impacto na produtividade, podendo dizimar enormes áreas de lavoura, devido ao fato de ser um inseto de grande migração e difícil controle, transmissor de doenças que afetam severamente o desenvolvimento do milho. 

A cigarrinha por si só, enquanto inseto sugador, causa pouco dano à cultura, no entanto, se estiver infectada por determinados fitopatógenos, pode devastar a plantação. 

Essa infecção acontece quando o inseto se alimenta de uma planta contaminada por certos tipos de molicutes e de vírus e, após um período de incubação, se alimenta de uma outra planta, e assim sucessivamente, alastrando as doenças do complexo de enfezamento (vermelho e pálido), e de virose (raiado fino) por toda a lavoura.

Como identificar a cigarrinha-do-milho?

O primeiro passo para o combate de qualquer praga é a identificação. Somente assim podemos tomar as ações adequadas e proteger as plantações. No caso da cigarrinha, ela costuma atacar a cultura do milho desde os estágios iniciais até o florescimento, impactando drasticamente no desenvolvimento da lavoura e posterior rendimento dos grãos.

O inseto de cor branco-palha, com manchas pretas na cabeça e duas fileiras de espinhos ao longo das tíbias posteriores, mede cerca de 0,5 centímetro quando adulta. Para um controle mais efetivo, o ideal é notar a presença das cigarrinhas o quanto antes, porém isso não é tarefa fácil. Neste caso, uma alternativa seria tentar perceber os sintomas desses ataques nas plantas, que passam a ter a identificação facilitada.

Fonte: Embrapa

Enfezamentos vermelho e pálido

O enfezamento geralmente se manifesta durante o florescimento e a fase de enchimento de grãos, provocando um avermelhamento generalizado das plantas a partir das pontas e bordas das folhas

Dentre as principais consequências do enfezamento vermelho destacam-se o encurtamento dos internódios, nanismo, multiespigamento, falta de espigas e espigas com má formação de grãos.

Fonte: RRPlus

Já o enfezamento pálido, no geral, é bastante similar ao enfezamento vermelho. Porém, se diferencia nos sintomas iniciais, onde a clorose, com a formação de estrias amarelas, se inicia a partir da base da folha. Em ambos os casos, os sintomas aparecem entre 7 e 10 dias após a infecção.

Fonte: RRPlus

Pela diminuição do tamanho das espigas e sua má formação, os enfezamentos podem provocar perdas de mais de 70% na produtividade do milho.

É importante ressaltar que lavouras de milho instaladas de forma tardia estão mais propensas ao complexo de enfezamento pois, quanto mais ciclos de vida as cigarrinhas tiverem realizado, maior o crescimento de sua população. 

Raiado fino

Muito embora esta doença possa ocorrer de maneira simultânea aos enfezamentos, sua incidência é bastante variável e não costuma atingir os mesmos níveis desses últimos.

Seu sintoma mais característico é a formação de pequenos pontos cloróticos ao logo das nervuras das folhas jovens que, em muitos casos, podem se juntar em pequenos riscos curtos. Adicionalmente, pode ocorrer uma diminuição no tamanho das espigas e dos grãos.

Fonte: Elevagro/Aristides Garcia

Fatores que favorecem a cigarrinha-do-milho

  • Temperaturas acima de 17ºC durante a noite e 27ºC durante o dia;
  • Plantas de milho voluntárias ou tiguera;
  • Lavouras de milho semeadas em sucessão;
  • Sementes híbridas de milho com maior nível de suscetibilidade. 

Manejo da cigarrinha-do-milho

O inseto se reproduz na entressafra em plantas hospedeiras, como o milho tiguera e plantas voluntárias, sendo bastante importante removê-las da área.

Como, no caso das cigarrinhas, apenas um método de controle não é suficiente no cenário de altas infestações, o ideal é que se utilize o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Os manejos mais utilizados são o cultural e o químico, sendo o biológico também uma opção possível.

Uma vez instalado o problema, seu controle se torna difícil, por isso as principais estratégias para um manejo eficiente devem ser preventivas:

  • Adequar a época de plantio, evitando prolongar a semeadura;
  • Não sobrepor ciclos da mesma cultura;
  • Escolher híbridos adaptados à região da cultura e com maior tolerância ao complexo de enfezamento;
  • Realizar o tratamento de sementes;
  • Fazer monitoramento de maneira constante durante os estágios iniciais e, se necessário, iniciar a aplicação de inseticidas.

Além de tudo isso, conhecer o histórico da sua área é parte fundamental para poder se planejar da maneira correta. 

Lembre-se: quanto antes detectar a presença da cigarrinha e realizar as ações de controle recomendadas, menores serão suas perdas.

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