AGRICULTURA

Bem-estar: o fator-chave na produção animal

Em 2016, um estudo da organização World Animal Protection revelou que 82% dos brasileiros consideram o bem-estar animal um fator importante na hora da compra. Um número que aumentou para 89% assim que os entrevistados foram expostos às imagens dos sistemas tradicionais de confinamento.

A criação humanizada para animais já não é novidade, mas nunca é demais falar sobre os benefícios que essa prática tem a oferecer. No artigo de hoje, o tema entra em pauta para mostrar que o bem-estar se tornou decisivo para o agronegócio.

Logo abaixo você confere um pouco mais sobre o assunto e confere algumas dicas que podem ser colocadas em prática na sua fazenda. Acompanhe!

Uma breve história

Em 1789, o filósofo Jeremy Bentham questionava se os animais teriam a capacidade de sentir dor acima de quaisquer outras faculdades, como raciocinar ou falar. Para ele, a falta de características similares às dos seres humanos não anulava o sofrimento.

Quase dois séculos depois, a escritora Ruth Harrison lançava o livro Animal Machines (Máquinas Animais, em tradução livre), escancarando o tratamento que os animais de produção recebiam na época.

Ruth desfaz a imagem que os consumidores idealizaram, estimulando-os a reivindicar que os órgãos competentes tomassem providências para resolver o problema que havia sido exposto.

A importância da FAWC

Quinze anos após Máquinas Animais, surgia o Conselho de Bem-Estar dos Animais de Fazenda (FAWC, na sigla em inglês).

A instituição britânica nasceu em 1979 e, em 1993, editou a Declaração Universal do Bem-estar Animal, definindo cinco liberdades às quais todos eles têm direito:

  1. Livres da fome, sede e subnutrição;
  2. Livres do desconforto físico e térmico;
  3. Livres de dores, injúrias e doenças;
  4. Livres para se expressarem naturalmente;
  5. Livres de medo e estresse.

Legislação nacional

Aqui no país, o mau trato aos animais é considerado crime desde 1934, punindo os responsáveis com multa e prisão. Temos ainda o Decreto-Lei Nº 64/2000, de 22 de abril, que deixa os tutores do animal encarregados de assegurar-lhe qualidade de vida.

Os tutores também são responsáveis pelo tratamento que seus animais vão receber das mãos de terceiros, o que torna essencial o treinamento dos funcionários, de modo que o manejo seja realizado sem causar sofrimentos despropositados.

Por que o bem-estar animal importa?

Em 2017, a World Animal Protection novamente foi a campo e estudou o comportamento pós-gestacional dos suínos em uma granja no Distrito Federal. A experiência aconteceu da seguinte maneira:

  • O primeiro grupo de suínos foi amamentado em uma gaiola convencional, que causava estresse e não permitia movimentos;
  • O segundo grupo ficou em uma baia de gestação coletiva, com espaço livre para a movimentação da matriz e de seus filhotes.

Os resultados da baia coletiva foram surpreendentes:

  • 3,5% a mais de leitões nascidos vivos;
  • 14% a mais de peso após o desmame;
  • 16,5% a mais em receita;
  • 30% menos custos com a matriz.

De modo geral, o bem-estar dos animais de produção beneficia a produtividade da fazenda de várias formas. A qualidade do alimento melhora, as perdas por mortes e doenças diminuem e, consequentemente, os gastos com veterinários e medicamentos também caem.

Para ir além da teoria, a Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Extensão (Funep) publicou um livro com uma série de estudos que comprovam a relação entre a qualidade da carne e as condições do animal — incluindo o estresse durante o transporte e nos momentos que antecedem o abate.

É por essas e outras que o investimento no bem-estar dos animais de produção se torna cada vez mais necessário. Para ilustrar, confira alguns exemplos de como isso tudo pode funcionar na prática.

Práticas de bem-estar animal

Oferecer uma nutrição adequada

Ao passo que os animais avançam na idade, suas necessidades alimentares mudam. Portanto, certifique-se de que a dieta oferecida a eles, tanto em relação à quantidade ou à composição, esteja adequada para o seu respectivo estágio.

Treinar os funcionários

Se você deseja obter sucesso do início ao fim do processo produtivo, é preciso que os trabalhadores da sua fazenda saibam manejar adequadamente os animais. Essa é uma excelente forma de evitar acidentes de trabalho ou quaisquer complicações oriundas de maus tratos.

Investir no controle sanitário

Estruture um plano de vacinação a fim de evitar maiores problemas com doenças graves. Não obstante, fique atento às parasitoses que podem infectar todo o grupo e consulte sempre um médico veterinário para saber as melhores soluções em cada caso.

Garantir uma boa infraestrutura

Lembra das 5 liberdades listadas aqui no texto? É preciso que o ambiente de produção tenha uma infraestrutura que possibilite o cumprimento de todas elas.

A começar pelo espaço, as instalações devem ser capazes de oferecer conforto para todos os animais ocupantes, em pé ou em descanso.

Mais que isso, é necessário que a temperatura e a umidade estejam agradáveis. E não se esqueça de manter a higiene dos bebedouros e comedouros, além das baias em geral.

O bem-estar animal é um assunto extenso e que ainda tem muito o que ser dito. Porém, já é possível perceber que não faltam motivos para investir na criação humanizada dentro da sua fazenda — e colher os resultados aqui fora.

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