AGRICULTURA

As mulheres e o futuro do agronegócio

Dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que as mulheres rurais respondem por 45% da produção de alimentos no Brasil e em países em desenvolvimento. A instituição informa, ainda, que a contribuição dessas produtoras é essencial ao desenvolvimento das sociedades para a segurança alimentar e nutricional das populações e para a erradicação da fome no mundo. Apesar de tal importância, a representação feminina no agronegócio enfrenta desafios significativos para ter as mesmas oportunidades que os homens.

É o que mostra um estudo solicitado pela Corteva AgriscienceTM, Divisão Agrícola da DowDuPont, e realizado entre os meses de agosto e setembro deste ano, envolvendo 4.157 produtoras rurais de 17 países em cinco continentes. No Brasil, a pesquisa foi feita com 433 mulheres. A discriminação de gênero é um dos principais problemas citados pelas entrevistadas, tanto que quase metade delas afirmou ter salários menores do que os homens exercendo funções semelhantes. No Brasil, 42% das mulheres consultadas também disseram ter menos acesso a financiamentos.

Para se ter ideia do perfil das entrevistadas, a faixa etária vai de 20 a 39 anos, trabalham com agricultura ou desenvolvem alguma atividade relacionada ao agronegócio e, entre elas, há desde quem comanda pequenas propriedades familiares até empresárias que empregam mais de 300 colaboradores. Mesmo com essa representatividade, somente 38% das entrevistadas dizem poder decidir como a renda é aplicada na agricultura e no cultivo.

Tais estatísticas são um retrato de que há tantos desafios quanto oportunidades para as mulheres no agronegócio, e alguns pontos são fundamentais para que se alcance o equilíbrio nessa relação. O primeiro deles é reconhecer a existência da discriminação de gênero no meio rural, para que comece de fato a ser superada. Paralelo a essa mudança, é primordial que as mulheres tenham mais acesso a treinamento e capacitação, mais educação acadêmica e mais apoio de maneira geral.

A boa notícia é que essas questões ganham cada vez mais atenção e passam, inclusive, a ser discutidas em fóruns importantes do agro brasileiro. A exemplo do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que chegou à sua terceira edição debatendo a relevância e a participação feminina no desenvolvimento do agronegócio de forma inovadora, rentável, sustentável e ética. O evento, que aconteceu nos dias 23 e 24 de outubro na capital paulista, teve como tema “2030 – O futuro agora, na prática” e discutiu diversos conceitos inovadores que já estão sendo aplicados em várias propriedades.

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