AGRICULTURA

Agricultura digital: uma breve análise da tecnologia no campo

Estudo recente realizado pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) apontou um fato preocupante sobre a conectividade no campo. De acordo com as informações apresentadas, o sinal de internet está presente em apenas 23% das áreas rurais.

Para entender o quanto isso afeta o agronegócio, a Esalq estipula que a falta de conexão pode impedir a entrada de aproximadamente R$ 100 bilhões no setor agro até 2026. Mais que isso, a baixa expansão da conectividade também é uma ameaça aos pequenos produtores, que são os principais afetados por essa situação.

Do outro lado da moeda, o agro não deixa a desejar no quesito tecnológico. Nos últimos anos, diversas máquinas agrícolas começaram a ser equipadas com inovações que possibilitam mais precisão nas operações e mais produtividade no campo.

Frente a isso tudo, o artigo de hoje faz uma breve análise de como se encontram a demanda por conectividade no campo, os novos hábitos do produtor, as possibilidades que ele tem à sua disposição e de que maneira o setor pode resolver esse problema o quanto antes.

Acompanhe!

Produtores conectados
No ano passado, uma pesquisa conduzida pela McKinsey indicou que o nível de digitalização dos produtores rurais brasileiros é maior que o dos norte-americanos. Entretanto, há alguns anos já podíamos constatar que o crescimento da tecnologia no ambiente rural era apenas questão de tempo (e oportunidade).

Realizada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) junto à Informa Economic Group (IEG/FNP), a Pesquisa Hábitos do Produtor Rural de 2017 apontou números curiosos.
Dos quase 3 mil entrevistados, 96% afirmaram utilizar celular — smartphones, em sua maioria. Em relação à internet, 42% disseram ter acesso e fazer uso dos principais aplicativos e redes sociais. Especificando, 96% fazem uso do WhatsApp, 67% estão no Facebook e 24% assistem aos vídeos do YouTube.

Possibilidades da tecnologia
A familiaridade dos produtores com a alta conectividade é um fator importante, já que as empresas estão oferecendo soluções cada vez mais inovadoras para facilitar o dia a dia no campo.
No caso das máquinas agrícolas, existem modelos que conversam entre si por meio de um ecossistema criado pelo fabricante. Só isso já é capaz auxiliar nas tomadas de decisão, uma vez que os dados coletados pelos equipamentos tornam tudo mais assertivo.

Os benefícios vão além. Graças aos computadores de bordo, as máquinas conseguem realizar suas operações de forma rápida e precisa, reduzindo custos e aumentando os níveis de produtividade.

Falando em custos, a tecnologia embarcada dos equipamentos também auxilia na hora do suporte técnico. Possibilita diagnósticos remotos que agilizam o processo de manutenção e reduzem o tempo de máquina parada.

Saindo do âmbito do maquinário, a conexão se fez ainda mais presente na vida dos produtores com a pandemia da Covid-19. Para continuarem trabalhando e se manterem informados sobre o mercado, os produtores precisaram se adaptar a eventos virtuais e aumentar a comunicação a distância.

Com isso, vimos as principais cooperativas agrícolas do setor fazendo fortes investimentos para realizarem suas primeiras feiras online, com oferta de estandes, produtos agrícolas e áreas de convívio recriados em computação gráfica.

Indo além, muitas marcas também se organizaram para oferecer informação de qualidade por meio de eventos ao vivo — as famosas lives — transmitidos por plataformas digitais, com acesso gratuito na maioria das vezes.

O futuro da conexão
Em meio a tantas possibilidades, voltamos a encarar o problema relatado logo no início do artigo: nem todos os trabalhadores rurais podem aproveitar essas oportunidades devido à falta de cobertura de rede.

Para oferecer uma solução, o estudo da Esalq citado baliza ações que viabilizam a expansão da conectividade por meio de tecnologias de banda larga, tais como satélite, fibra ótica e telecom — esta última incluindo uma novidade: a conexão 5G.

Os cenários apresentados pela Esalq envolvem a cobertura de internet pelos sinais 2G, 3G e 4G até 2026. Inicialmente, as 4.400 torres já existentes seriam aproveitadas para ampliar a cobertura de 23% para 48% em toda a área agrícola do Brasil.

Mais à frente, seriam instaladas mais de 15 mil novas torres, atendendo a 90% de toda a demanda por conectividade no meio rural. Com o aumento da conectividade, o Valor Bruto de Produção (VBP) também cresceria 9,6% como resultado direto.

***

Como podemos perceber, o agronegócio só tem a ganhar com o processo de digitalização. O produtor rural, por sua vez, está aberto para as novas tecnologias que o mercado tem a oferecer, até porque elas são o motivo da retomada de interesse do público jovem pelo campo.

Agora só nos resta aguardar que os projetos de expansão se realizem e tornem a conectividade na área rural cada vez mais presente na vida de agricultores, pecuaristas e outros trabalhadores. Afinal, uma tecnologia que faz toda a diferença no mercado merece estar acessível para todos do setor.

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